O amor é como um grão: morre e
nasce trigo, vive e morre pão. É com essa frase da música Drão, de Gilberto Gil,
que eu começo. Facilmente se percebe que o texto fala sobre a transmutação de
sentimentos ou sobre a perenidade do amor. Verdade? Talvez! E quem sabe o que é
o amor? Quem tem real certeza dele quando se está vivendo-o? O que compõe o
amor? São tantas perguntas que se faz sobre este sentimento, que a única
certeza que se tem é que não se sabe completamente o que é essa sensação, tão
divulgada e pseudo-sentida. Esta afirmação não se aplica aquele amor paternal
ou maternal, filial, enfim... Falo do amor entre pares (homem/mulher,
homem/homem, mulher/mulher e todas as suas variações possíveis e nem sempre compreensíveis).
Pode ser que o amor seja um
sentimento ausente, composto de alegria, excitação, medo, tristezas, raivas e
PRINCIPALMENTE saudade. Este último componente explica o fator ausente do
famoso e falado AMOR. Quem ama só sabe que amou de verdade, quando a saudade e
a falta de viver aqueles momentos se tornam presentes e começam a incomodar
insuportavelmente. Aí sim, sabe-se que o que se viveu era amor (amor del
bueno). Certa vez li algo que dizia que cada ser humano possui doze (se não me
engano) almas gêmeas e elas se classificam seguindo a hierarquia das bodas
(papel, pérola, bronze, prata, ouro, etc.). Talvez isso explique o motivo pelo
qual gostamos de tantas pessoas ao longo da vida. Talvez isso explique porque
gostamos dessas pessoas de formas diferentes. Talvez isso explique porque
algumas marcam tão profundamente e de outras apenas lembramos com carinho,
quase fraternal.
Retomando a frase inicial deste
texto, talvez o amor se transforme sim. Ou talvez ele seja apenas um momento
inicial, um ponto de partida, o alimento de algo maior na vida. Em sua morte, é
que conseguimos descobrir um motivo ou uma finalidade para aquela experiência.
Pode ser também que esse aprendizado demore a chegar. Mas, como já dito,
conclui-se que o amor é um sentimento que só é completamente identificado
quando chega ao fim. Agora muitos podem estar contestando ou refutando essa
informação. Mas o que eles respondem as seguintes perguntas: Será que o que
está sendo vivido não é só paixão, excitação? Quem garante que ele vai
permanecer intacto e durável? Se estas pessoas pararem para pensar (nem que
seja um pouco) ou responderem negativamente a uma das duas perguntas, é sinal
de que a afirmação, aqui feita, tem certo sentido. Mas voltando ao fato de o
texto falar sobre a transmutação de sentimentos ou sobre a perenidade do amor,
na verdade não era essa a intenção. Ele é somente uma mensagem de saudade.
Grande.

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