O custo de vida na
sociedade atual é altíssimo e cada dia aumenta mais, o que exige maior jornada
de trabalho, maior receita família no fim do mês e, conseqüentemente, menos
tempo em casa, menor convivência entre familiares. Nesse contexto, as famílias seguem
a ordem inversa: estão cada vez menores. Inúmeras são as famílias com filhos
únicos.
A primeira alteração
que isso acarreta é na falta de interação, compreensão e carinho entre as
crianças, já que sem irmão fica difícil criar desde cedo valores como: saber
dividir, entender o espaço do outro e respeitar a individualidade de cada um,
com seus pensamentos, vontades e preferências. Em casa, se consegue trabalhar
isso de maneira mais lógica e até mesmo enfática, se necessário, coisa
praticamente impossível de se fazer na escola ou nas ruas, já que os pais não
têm total controle dessas coisas, e os professores (além de não ter essa total
obrigação) não tem condições de trabalhar isso individualmente com cada
criança. Os meninos e meninas estão cada vez mais competitivos e, o pior, sem a
menor disposição de perder, ou de pelo menos tentar aprender a perder. Para
elas o que importa é o que ELAS querem, ou ELAS sentem. A preocupação ou o
entendimento do pensamento do coleguinha fica no terceiro lugar depois de
ninguém.
Outra alteração
causada é no comportamento e no tipo de relação entre pais e filhos. Os pais,
por passarem mais tempo fora de casa, deixam seus filhos aos cuidados de
auxiliares (babás, cuidadoras, enfermeiras, etc.) que, na maioria das vezes são
cobradas com rigor por simples besteiras, acidentes domésticos causados no
dia-a-dia e que quase sempre são inevitáveis. É como se os pais, que não tem
tempo de olhar e cuidar diretamente dos filhos, pagassem para que a criança
vivesse numa bolha protetora. Mais ou menos o pensamento: eu não estou aqui,
mas nada de ruim ou doloroso pode acontecer com você, porque eu não deixo. Além
disso, os progenitores ao chegar de noite em casa, recompensam a falta que
fizeram o dia todo com mimos, presentes e permissividade excessiva, como que
por medo de as crianças que já não tem suas imagens a maior parte do dia,
acabem por se acostumar ou por não querer-los por perto. Medo de se tornarem
figuras exclusivamente castigadoras ou repressoras.
Crianças sem limites,
egoístas, cheias de vontades e que não sabem e não conseguem lidar com os NÃOS:
essa é só uma conseqüência do aumento do custo de vida, que por sua vez é
impulsionado pela ampla difusão de falsos valores de status e poder, que grande
parte da sociedade absorve.
Uma das últimas
conseqüências é a redução das famílias, no que se refere a membros como irmãos
e, por tabela, tios e primos. Eles estão prestes a sumir ou, no mínimo,
entrarem em extinção. O que as crianças
do futuro vão aprender em sala, nas aulas de ciências: árvore genealógica ou
bonsai genealógico?

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