terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Aquela Pirangi...

    



Lembro que, desde muito criança, frequento nos verões a praia de Pirangi do Norte. E esta vivência permite  notar e comentar as mudanças que a praia vem sofrendo ao longo de, no mínimo, 20 anos.

 É óbvio que ninguém quer que os lugares, comportamentos e tudo mas pare no tempo, mas muitas novidades vem para piorar, ou enfeiar, as coisas. Antigamente Pirangi era a praia da elite natalense, e isso se repte até hoje, entretanto onde estão as pessoas caminhando, se encontrando e confraternizando, todas as manhãs (com trajes e banho) e  ao fim da tarde,  neste caso todos já bem banhados e devidamente arrumados com roupas leves de verão?

E o que falar da juventude que, simplesmente, LOTAVA a rua principal, com seus passeios noturnos e com as paqueras no ritmo frenético dos seus hormônios? Onde está a badalação (marca da praia) que, até um passado bem recente, fazia lotar todas as noite, seja a orla (onde vários carros com seus paredões faziam a festa gratuita e democrática para os adolescentes) ou o Circo da Folia ( onde os shows de axé eram devorados pela massa jovem, com engarrafamentos de kilometros).

Pirangi já não é mais uma praia totalmente do povo, onde cada um chegava com sua cadeirinha, seu guarda-sol e  aproveitava a praia até que tivesse vontade. Hoje algumas dezenas de mesas, guardas-sol e até mesmo comércio fixo (como vendas de biquínis) cobram taxas para as pessoas que querem ocupar aquela faixa de areia que é pública. Sem contar a poluição que está em toda a parte: seja com esgotos à vista dos banhistas ou na areia ao fim de um domingo.

Pirangi, neste verão de 2013, perdeu um pouco do seu glamour, do seu brilho. A praia quase sempre vazia. Movimento pequeno. Os shows fracos. Os bares, pelo que se via, com uma ou duas mesas ocupadas. Mas não é de hoje que os veranistas não mais se encantam com o arrastão da rede pelos pescadores, as crianças andavam caçando Tatuí ou brincavam de cavar poços ou construir castelos de areia.

E é assim que mudam os hábitos, as preferências e as paisagens.

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